Outubro 08, 2024

Em 1º discurso após atentado, Trump diz que divisão nos EUA precisa ser 'curada', mas ataca imigrantes e adversários

Em sua primeira fala após ser alvo de um atentado, o ex-presidente Donald Trump afirmou em a divisão nos Estados Unidos precisa ser curada. No entanto, depois de adotar um tom moderado na primeira parte discurso, o republicano atacou os democratas em diversas oportunidades e disse, sem citar provas, que a imigração provocou aumento na criminalidade.

Pela quarta noite consecutiva de convenção, nesta quinta-feira (18), Trump apareceu com um curativo na orelha direita, que ficou machucada após o atentado de sábado (13).

Antes do discurso, o Partido Republicano divulgou trechos do texto que seria lido por Trump. No entanto, o ex-presidente improvisou em vários momentos. Ele também evitou citar o nome de Joe Biden, se referindo a ele como "atual administração".

Durante o discurso, Trump:

  • relembrou o atentado na Pensilvânia;
  • pregou união nos Estados Unidos, mas criticou os democratas;
  • defendeu a proteção nas fronteiras e atacou imigrantes ilegais;
  • fez promessas para economia e controle da inflação;
  • falou sobre a guerra na Ucrânia e no Oriente Médio.

Leia os destaques em detalhes ao longo da reportagem.

Trump já foi oficializado como candidato do Partido Republicano na eleição presidencial marcada para novembro. O vice na chapa será J.D. Vance, atual senador por Ohio.

A campanha do ex-presidente disse que ele resolveu escrever um novo discurso após o ataque. Já era esperado que o texto divesse um tom mais conciliador e presidencial.

Atentado
Trump relembrou o atentado que sofreu na Pensilvânia, no sábado (13). Ele afirmou que está será a única vez que ele comentará o assunto, por ser "muito doloroso".

Ele agradeceu ao povo norte-americano pelo apoio dado após o ataque e afirmou que ficou a menos de um centímetro da morte.

Trump relatou que estava falando sobre um gráfico de imigração, quando se virou. Em seguida, ele ouviu um barulho de tiro e viu sangue ao levar a mão à orelha.

O ex-presidente agradeceu aos agentes do Serviço Secreto pela proteção e disse que sentiu a presença de Deus após o atentado.

"Se eu não tivesse virado a cabeça naquele momento, aquele assassino teria atingido o seu alvo. E nós não estaríamos juntos aqui hoje. [...] Tive Deus do meu lado."

Trump disse que fez um aceno ao público para demonstrar que estava bem e resolveu pedir para que as pessoas lutassem.

O ex-presidente também relatou que conversou com as duas vítimas que se feriram no atentado. Em seguida, Trump levantou o capacete do bombeiro Corey Comperatore, que morreu no ataque, e fez uma homenagem. O republicano anunciou ajuda financeira à família.

"Apesar de um ataque tão hediondo, nos unimos esta noite mais determinados do que nunca. Nossa determinação está intacta e nosso propósito permanece o mesmo: entregar um governo que sirva ao povo americano."

União
No início do discurso, Trump defendeu a união, afirmando que todos são cidadãos de um mesmo país. Ele também disse que a eleição presidencial será sobre como resolver os problemas enfrentados pelos Estados Unidos.

"Estou concorrendo para ser presidente de toda a América, não da metade. Não há vitória em ganhar por metade da América."

O republicano também fez um aceno à diversidade, citando até mesmo o partido democrata e imigrantes.

"A cada cidadão, seja jovem ou velho, homem ou mulher, democrata, republicano ou independente, negro ou branco, asiático ou hispânico, estendo a vocês uma mão de lealdade e amizade."
No entanto, logo em seguida, Trump disse que o Partido Democrata usa a Justiça dos Estados Unidos como arma e alegou que sofre um "caça às bruxas" por parte dos opositores.

Imigração
No discurso, Trump prometeu fronteiras seguras, se for eleito. Ele afirmou que reestabelecerá a lei e a ordem, além do patriotismo. Além disso, o ex-presidente ligou a imigração ao aumento da criminalidade nos Estados Unidos, sem citar provas.

"Temos uma crise de imigração ilegal. Uma invasão massiva em nossa fronteira sul que espalhou miséria, crime, pobreza, doença e destruição em comunidades por todo o nosso território."

Esse tipo de discurso do ex-presidente já foi refutado outras vezes. Pesquisadores afirmam que a proporção de crimes violentos cometidos por imigrantes irregulares não é maior do que a taxa registrada entre cidadãos norte-americanos.

Trump prometeu ainda fechar a fronteira com o México e finalizar a construição de um muro entre os dois países. A obra foi iniciada na gestão dele, entre 2017 e 2021.

O ex-presidente disse que as cidades dos Estados Unidos estão "inundadas de imigrantes ilegais", e que os americanos estão sendo "expulsos".

"Eles [imigrantes] estão vindo de prisões e cadeias, de instituições mentais e asilos, e terroristas em níveis nunca antes vistos."

Trump prometeu a maior operação de deportação da história do país.

Economia e inflação
Trump fez críticas à gestão do presidente Joe Biden. Ele afirmou que os preços subiram durante o governo democrata e que trabalhos foram cortados.

Em seguida, o ex-presidente prometeu redução nos impostos e em custos para a produção de energia.

"Sob meu plano, os rendimentos vão disparar, a inflação vai desaparecer, os empregos vão voltar com força total, e a classe média vai prosperar como nunca antes."
Ele também afirmou que acabará com a política de incentivo à produção e uso de carros elétricos. Trump classificou leis ambientais adotadas recentemente como "ridículas".

Trump também afirmou que vai trazer de volta o "sonho americano" e que os Estados Unidos estão a beira de uma nova "era dourada".

Guerra na Ucrânia e no Oriente Médio
Trump disse que o planeta está se encaminhando para a Terceira Guerra Mundial e prometeu acabar com as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

O ex-presidente disse que vai trazer paz e estabilidade para o mundo e afirmou que nenhum conflito foi iniciado durante a gestão dele.

Além disso, o republicano criticou gestões anteriores, incluindo a do republicano George W. Bush. Ele afirmou que, nos mandatos passados, a Rússia promoveu invasões em outros países.

Trump também classificou a retirada das tropas dos Estados Unidos do Afeganistão, durante o governo Biden, como "desastrosa".

"Encorajados por aquele desastre, a Rússia invadiu a Ucrânia. Israel sofreu o pior ataque de sua história. Agora a China está cercando Taiwan, e navios de guerra e submarinos nucleares russos estão operando a 60 milhas de nossa costa, em Cuba."
Ao se referir à Coreia do Norte, Trump disse que conseguia lidar com o líder Kim Jong-un enquanto era presidente. Os dois chegaram a se reunir, em 2019.

"É bom conviver com alguém que tem muitas armas nucleares”, disse. "Ele [Kim] também gostaria de me ver de volta. Acho que ele sente minha falta", afirmou.

Já em relação ao conflito no Oriente Médio, ele prometeu que o Hamas pagará um "preço alto" se os reféns mantidos pelos terroristas não forem libertados até que ele assuma a presidência.

Por fim, Trump prometeu construir um "Domo de Ferro" para garantir que nenhum inimigo ataque os Estados Unidos.

Relembre o atentado
Trump estava fazendo um comício na cidade de Butler, na Pensilvânia, quando foi alvo do atentado. Um vídeo registrou o exato momento em que o ex-presidente reage ao ouvir tiros de arma de fogo. Um espectador morreu e outros dois ficaram feridos.

Durante os disparos, Trump levou a mão à orelha e se abaixou. Na sequência, agentes do Serviço Secretos dos Estados Unidos protegeram o republicano.

Ele foi retirado do local instantes depois. Antes, acenou para o público e apareceu com a orelha ensanguentada. Trump foi levado para o hospital e recebeu alta cerca de três horas depois.

O ex-presidente fez uma publicação horas após o atentado em uma rede social para comentar o ocorrido.

"Eu levei um tiro que atingiu o pedaço superior da minha orelha direita. Eu soube imediatamente que algo estava errado quando ouvi um zumbido, tiros e imediatamente senti a bala rasgando a pele. Sangrou muito, e aí me dei conta do que estava acontecendo", escreveu Trump.

O atirador foi identificado como Thomas Matthew Crooks. Ele tinha 20 anos e foi morto por um sniper do Serviço Secreto dos Estados Unidos. Com ele, as autoridades encontraram um fuzil AR-15.

O FBI está investigando a motivação do atentado. Celulares e equipamentos eletrônicos de Crooks estão sendo analisados. As autoridades já revelaram que o atirador pesquisou sobre informações e datas envolvendo Trump e Biden.

g1
Portal Santo André em Foco

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