Outubro 08, 2024

Pesquisadores investigam se enrocamento em barreira está reduzindo faixa de areia na praia de Cabo Branco, em João Pessoa

Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) estão investigando se a colocação de rochas no sopé da barreira do Cabo Branco , construção conhecida como enrocamento, seria responsável por reduzir a faixa de areia da praia e, consequentemente, aumentar a erosão da calçadinha, área que foi destruída pela intensa ação do mar. O grupo analisa há cerca de seis meses um trecho que vai da Praia do Seixas até a Praia do Cabo Branco, em João Pessoa, e o resultado ainda não é conclusivo.

A obra do enrocamento foi entregue em novembro de 2020, com objetivo de criar um obstáculo entre a base da falésia do Cabo Branco e as ondas que a atingiam com forte intensidade e provocavam sua erosão. “O enrocamento foi feito para proteger a barreira da erosão, está protegendo parcialmente, mas está causando erosão em outros lugares”, explica o professor e coordenador da pesquisa, Saulo Vital.

O pesquisador explica que uma corrente marítima arrasta sedimentos da Praia do Seixas em direção à Praia de Cabo Branco. Nesse processo, a areia deveria ser depositada ao longo da costa, mas os sedimentos não conseguem seguir para Cabo Branco porque ficam presos nas pedras do enrocamento, faltando areia no trecho próximo à rotatória.

A pequena faixa de areia permite uma maior ação do mar na calçadinha e, consequentemente, aumenta a erosão do local. “A areia da praia protege a costa da erosão. O que está entre o continente e o mar é a faixa de areia da praia, que é responsável por separar as duas coisas. Sem ela o mar avança e invade o continente. A areia tem uma função de amortecimento”, explicou.

Os pesquisadores identificaram que por ficar presa no enrocamento, a areia pode estar acumulando na Praia do Seixas, o que pode aumentar a faixa de areia da região. Saulo Vital destaca que até o próprio enrocamento está começando a ficar parcialmente coberto de areia enquanto falta em Cabo Branco.

Pesquisa vai avançar
Saulo Vital destaca que os resultados da pesquisa não são conclusivos. Apenas com 1 ano de observação da região é que os resultados podem ser considerados concretos e dois anos para se tornarem definitivos. “O estudo está encaminhando para esse entendimento, mas não é uma conclusão fechada e provada”, afirmou.

A pesquisa é desenvolvida pelo Laboratório de Estudos Geológicos e Ambientais (LEGAM) da UFPB, a partir de uma parceria entre o grupo de pesquisa em geomorfologia e gestão dos riscos naturais, coordenado por Saulo Vital, e o grupo de estudos e pesquisas sobre o espaço costeiro, com coordenação de Cristiane Moura. O projeto é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O g1 questionou a Secretaria de Planejamento da Prefeitura de João Pessoa sobre a obra do enrocamento, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Em abril deste ano, a Prefeitura de João Pessoa anunciou a construção de uma contenção da calçadinha com a implantação de estacas-prancha. Segundo a gestão, a tecnologia é utilizada para evitar que a movimentação do mar degrade a parede da calçadinha. As estacas-pranchas possuem encaixes que formam uma parede de retenção. Também será feita a recomposição da área que sofreu erosão para nivelamento da calçada.

A Prefeitura também planeja reconstruir a própria calçadinha e a ciclofaixa. Também prevê a implantação de paisagismo, bancos, academias e um espaço de contemplação.

g1 PB
Portal Santo André em Foco

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