O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta quarta-feira (24) que o governo federal irá comprar as vacinas contra a Covid-19 dos laboratórios Pfizer e Janssen (que pertence à Johnson), se tiver uma "autorização clara".
"Se vier uma autorização clara flexibilizando todas as atividades, sim, nós vamos comprar a Pfizer e a Janssen, já está com o cronograma de entrega entregue pra nós", afirmou Pazuello, que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em visita ao Acre.
Atualmente, o Brasil usa duas vacinas no programa de imunização contra a Covid: a de Oxford e a CoronaVac. A pouca disponibilidade de doses, porém, tem levado algumas capitais a suspender ou restringir a vacinação (veja a lista). Desde o início da campanha, há cerca de 1 mês, o país aplicou ao menos 1 dose em 6,08 milhões de pessoas, ou 2,87% da população.
O governo Bolsonaro tem resistido a comprar a vacina da Pfizer por conta de alguns pontos do contrato, como a existência de um termo de isenção de responsabilidade sobre possíveis efeitos colaterais, uma exigência que somente Brasil, Argentina e Venezuela se negaram a aceitar.
Para tentar contornar o impasse, o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), apresentou nesta semana uma proposta que autoriza os governos federal, estaduais e municipais a assumirem a responsabilidade por eventuais efeitos negativos provocados por vacinas contra a Covid aplicadas na população brasileira.
Pazuello citou a possibilidade de flexibilização da legislação, e disse que irá "cumprir o que vier" das discussões entre o governo e o Congresso sobre o assunto.
"Nós estamos negociando com os laboratórios, basicamente os americanos, a Pfizer e a Janssen, que é a Johnson&Johnson, já há 6 meses, e essas negociações implicam em discussões das cláusulas exigidas, e nós temos sido muito duros, e eles têm sido mais duros do que a gente", afirmou o ministro nesta quarta.
Ao lado de Pazuello, Bolsonaro argumentou que, por conta da cláusula de isenção de responsabilidade, é "uma coisa de extrema responsabilidade" para quem for dar a palavra final sobre a compra das vacinas, "se sou eu como presidente, se é o parlamento derrubando um possível veto ou se é o Supremo Tribunal Federal"
Na coletiva, Pazuello afirmou ainda que cerca de 4 milhões de doses da CoronaVac, fabricada pelo Instituto Butantan, devem ser enviadas aos estados "a partir de amanhã ou depois de amanhã".
G1
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