A fé verdadeiramente viva
Ter um título vitalício de um clube nos faz membros desse clube mesmo que tenhamos mudado para um país distante, assim como ter um diploma de engenharia nos permite dizer que somos engenheiros mesmo que já tenham se passado 20 anos e nunca tenhamos efetivamente trabalhado na área.
Ser católico não funciona do mesmo modo. Posso ser batizado e não ser mais católico, como também posso estar casado “no papel” mas, não ser mais um esposo para minha esposa há muito tempo.
A essa incoerência entre títulos adquiridos e ações cotidianas na vivência da religiosidade, uma verdadeira hipocrisia de vida, é que São Tiago chama a atenção em sua carta ao dizer que “A fé, sem obras, é morta!” (Tg 2,17).
Antes de investigarmos o apóstolo, vejamos a hipocrisia
Hipócrita, vem do grego hipokrités e significa “aquele que responde”. Responde ao coro da tragédia, ou seja, é o ator (geralmente um único ou dois atores em cena) que responde ao coro que cantava, dançava, fazia perguntas e geralmente interpretava um coletivo como o povo, os cidadãos, as ninfas da floresta ou qualquer outro agrupamento de pessoas que conduzia a história na tragédia grega e questionava o “herói” sobre sua conduta.
Então, o hipócrita é o ator que está no palco fingindo ser quem ele não é. Veste a roupa de um médico, mas não é médico; o uniforme de um oficial, mas não é nem militar; tem o aspecto de um professor, mas não conhece, de verdade, o assunto do qual fala.
Em suma, decorou um papel social, uma carcaça de vida, utiliza as mesmas roupas de um determinado grupo, usa as mesmas palavras e expressões, mas não vive o que diz viver. Ele responde ao coro das redes sociais, dos grupos de WhatsApp, de reuniões da “classe” que diz fazer parte e até mesmo em encontros pessoais “tu a tu”.
Se no palco, nos filmes, nas séries, o hipócrita-ator realiza um trabalho louvável, na vida, o hipócrita, que não é ator, é uma triste figura. Na vivência da fé então, é chocante. Mas é um “personagem” sempre presente na religião, e Jesus mesmo já apontava os sepulcros caiados que procuravam ser lindos por fora enquanto eram podres por dentro (Mt 23, 27-28).
São Tiago então, na passagem citada, alerta também aos homens e mulheres do século XXI: quer dizer que tem fé? Não diga, mostre que você é uma pessoa de fé vivendo as virtudes cristãs na prática.
Quer mostrar que você tem um título, um pedigree, que é melhor do que o resto dos mortais?
Por favor, viva claramente as virtudes mais duras e mais cristãs: ofereça a outra face após ser humilhado, reze por aqueles que evidentemente o perseguem, faça o bem a todos os seus inimigos, devolva o mal que recebeu com boas obras aos que o odeiam e, como tão bem ensinava padre Jonas Abib: pense bem de todos, fale bem de todos e queira bem a todos!
Não existe católico “agente secreto”.
Unido em oração, para que a nossa fé transborde da capela em que rezamos e modifique o nosso comportamento cotidiano.
Flavio Crepaldi
Canção Nova
Portal Santo André em Foco
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