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Saúde

Material do vírus da zika foi encontrado em substância dentro de olho de paciente de 40 anos em Ribeirão Preto (Foto: Fábio Júnior/EPTV)Pesquisadores identificaram antígenos do vírus da zika dentro da íris, retina e nervo óptico de fetos que tiveram síndrome congênita provocada pelo vírus e não sobreviveram. Segundo autores, trata-se do primeiro estudo a descrever uma ampla gama de anomalias provocadas nos olhos de vítimas. A pesquisa foi publicada no "JAMA Ophthalmology" nesta quinta-feira (21).

"Havia mudanças associadas com o desenvolvimento inicial dos olhos, os fotorreceptores estavam mais finos. Também havia atrofia do nervo óptico", diz Sander R. Dubovy, em entrevista à publicação.

Coletadas entre junho de 2015 e abril de 2017, as amostras vieram do Instituto Nacional de Saúde de Bogotá, na Colômbia, e foram analisadas no Laboratório de Patologia Molecular na Flórida, em Miami.

A descrição das anomalias no olho é importante porque ainda há dúvidas se é exatamente a presença do zika no olho que leva às atrofias oculares ou se essas mudanças estariam associadas a um processo secundário ou uma reação à infecção.

Após a análise, segundo o estudo, "a presença do antígeno do zika nos tecidos oculares sugerem que as patologias encontradas e as transformações nos tecidos estão associadas ao zika."

Pesquisas inicias na Fiocruz

Um dos estudos a alertar para as anomalias de zika nos olhos foi feito no Instituto Fernandes Figueira (IFF), centro de referência para pesquisa no vírus ligado à Fiocruz, publicado em julho, também no "JAMA".

Dentre outros achados, a pesquisa mostrou que as patologias oculares não necessariamente podem estar relacionadas à presença de anomalias mais graves no Sistema Nervoso Central. Entre os bebês estudados com patologias nos olhos, 41,7% não tiveram má-formação no cérebro e 33,3% não apresentaram anomalias aparentes no SNC.

Um outro estudo, publicado no "New England Journal of Medicine", feito por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, mostrou que o vírus provoca infecções oculares em adultos. O estudo mostra caso de adulto de 40 anos que, após coletada amostra de humor aquoso do olho, teve comprovada a presença do zika.

G1
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Dados inéditos sobre pessoas que tiraram a própria vida no Brasil foram apresentados em coletiva nesta quinta-feira (21) (Foto: Bianca Marinho/G1)No Brasil, 11 mil pessoas em média tiraram a própria vida por ano. É a quarta maior causa de morte de brasileiros entre 15 e 29 anos, informam dados inéditos do Ministério da Saúde divulgados nesta quinta-feira (21). Entre 2011 e 2015, o número de suicídios cresceu 12%.

Em 2011, foram 10.490 mortes: 5,3 a cada 100 mil habitantes. Já em 2015, foram 11.736 mortes: 5,7 a cada 100 mil. Os dados são do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) de 2017.

Até 2020, a pasta informa que será lançado um Plano Nacional de Prevenção do Suicídio. Serão trabalhados três eixos: o primeiro é de 'Viglância e Qualificação da Informação'. Nele, será feita a promoção de estudos e pesquisas para levantar as informações sobre o quadro de suicídios no País.

O segundo é de prevenção do suicídio, no qual a pasta pretende trabalhar com a imprensa a forma como deve ser tratado o tema. Por fim, será definido um plano para Gestão e Cuidado, com educação permanente para qualificar profissionais da saúde na prevenção do suicídio.

A agenda de prevenção do Ministério prevê ainda a expansão dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), iniciativa do SUS, nas regiões de maior risco. Hoje, o risco de suicídio é reduzido em até 14% nas regiões que contam com o centro. Hoje, o Brasil conta com 2.463 CAPS.

O Ministério da Saúde tornou gratuita a ligação para o Centro de Valorização da Vida, instituição que presta apoio emocional para prevenção de suicídios, em oito estados. A partir de 30 de setembro, a ligação para o 188 ficará disponível gratuitamente em: MS, SC, PI, RR, AC, AP, RO e RJ.

No Rio Grande do Sul, onde já funciona gratuitamente desde setembro do ano passado, o número de atendimentos cresceu de 4,5 mil em 2015 para 58,8 mil de janeiro a agosto deste ano.

As iniciativas visam diminuir em 10% o número de óbitos por suicídio até 2020, meta da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde 2011, a notificação de tentativas e mortes por suicídio é obrigatória no País em até 24h. Em 2013, o país se tornou signatário do Plano de Ações em Saúde Mental da OMS.

Taxa de mortalidade é maior entre homens

Mas a taxa de mortalidade de homens por suicídio é 3,6 vezes maior que entre mulheres. Entre homens, 79% e entre mulheres 21%.

Solteiros, viúvos e divorciados foram os que mais morreram por suicídio (60,4%).

Indígenas apresentam maiores índices de mortalidade. A taxa de mortalidade entre índios é quase três vezes maior (15,2) que o registrado entre brancos (5,9) e negros (4,7).

O meio mais utilizado é o enforcamento, que representa 66,1 % entre homens e 47% entre mulheres. A segunda maior causa é a intoxicação exógena e a terceira arma de fogo.

A região Sul é a que mais tem suicídios. Os casos estão concentrados em municípios menores e de alta renda. Já a região Nordeste é a que tem a menor taxa no Brasil.

Em relação às tentativas de suicídio, entre 2011 e 2016 ocorreram 48.204 tentativas e o principal meio é envenenamento ou intoxicação (58%). Nesse grupo, as mulheres são maioria (69%) e 31,1% tenta mais de uma vez.

G1
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Momento da formação do blastocisto: estágio inicial do desenvolvimento do embrião humano, que levará à formação do bebê. Aqui, há cerca de 200 células  (Foto: Kathy Niakan/Nature)Cientistas revelaram o papel de um gene importante nos primeiros dias de desenvolvimento de embriões humanos, descoberta que ajudará casais com dificuldades para ter filhos. Para chegar ao feito, eles utilizaram a famosa “Crispr”, técnica que permite cortes precisos no DNA e tem contribuído para diversas descobertas científicas.

Segundo autores de estudo publicado na “Nature” nesta quarta-feira (20), é a primeira vez que a edição do genoma foi usada para estudar a função dos genes em embriões humanos -- e, por isso, a técnica abre caminho para terapias ainda no embrião.

A estratégia dos pesquisadores foi a de usar a Crispr para editar um gene específico no embrião e, com isso, tentar identificar qual o seu papel no desenvolvimento humano.

“A melhor maneira de descobrir o que um gene faz no embrião em desenvolvimento é ver o que acontece quando ele não está funcionando”, diz Kathy Niakan, do Instituto Francis Crick, no Reino Unido, em nota.

A equipe utilizou a Crispr para impedir que o embrião produza uma proteína chamada OCT4, normalmente ativa nos primeiros dias do desenvolvimento do embrião humano.

Depois que o óvulo é fertilizado, ele se divide até cerca de 7 dias e forma uma bola de cerca de 200 células chamada blastocisto. O estudo descobriu que embriões humanos precisam de OCT4 para formar corretamente um blastocisto.

Como a formação dessa estrutura é crucial para o desenvolvimento do feto, pesquisadores observaram que o gene é crucial para o desenvolvimento embrionário.

“O estudo ajudará significativamente o tratamento de casais inférteis. Será possível identificar o que torna embriões humanos em bebês saudáveis”, diz Kay Elder, co-autor do estudo, e pesquisador Bourn Hall Clinic, no Reino Unido.

A pesquisa foi liderada por cientistas do Instituto Francis Crick, em colaboração com colegas da Universidade de Cambridge, da Universidade de Oxford, do Instituto Wellcome Trust Sanger, da Universidade Nacional de Seul e da Bourn Hall Clinic.

Pesquisadores receberam financiamento principalmente de instituições no Reino Unido. Ao todo, cientista passaram um ano testando a técnica em cobaias e células embrionárias antes de iniciar o trabalho em embriões humanos.

Embriões foram doados por casais que passaram por tratamentos de fertilização in vitro e tiveram embriões que não foram utilizados.

G1
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 Célula infectada por partículas do vírus HIV, anexas à superfície  (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) )Um anticorpo "três em um" criado em laboratório foi eficiente no combate ao vírus HIV em macacos. O avanço é importante para criação de uma futura vacina contra a doença, e o estudo foi publicado nesta quarta-feira (20), na revista científica "Science".

Os resultados são uma parceria entre os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, sigla em inglês) e o laboratório Sanofi Pasteur, com liderança dos pesquisadores Ling Xu, John R. Mascola e Gary J. Nabel. As três pontas de ligação do novo anticorpo ao vírus são baseadas em três anticorpos únicos que neutralizam poderosamente cepas do HIV de forma individual.

Os cientistas testaram dezenas de combinações em laboratório para encontrar uma melhor resposta. Para fazer a "união", foi usada tecnologia de propriedade da Sanofi. Depois das pesquisas, chegou-se à conclusão de que a junção entre os anticorpos VRC01, PGDM1400 e 10E8v4 era a mais eficiente.

O "três em um" foi inserido em oito macacos, sendo que outros outros 16 receberam outros anticorpos (VRC01 e PGDM1400). Depois de cinco dias, os animais foram expostos a duas cepas do vírus HIV. Nenhum dos que receberam o novo anticorpo foi infectado.

A partir de agora, o laboratório e o instituto pretendem avançar as pesquisas e entrar na 1ª fase de testes em seres humanos.

G1
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Herbicida é utilizado para o combate de ervas daninhas em diversas culturas, como em plantações de soja (foto) (Foto: Werneck Almada/ Divulgação Ibama)Após análise de nove anos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu pela proibição da comercialização e uso do herbicida 'Paraquate'.

O Paraquate é utilizado na agricultura no Brasil para o combate de ervas daninhas em culturas como a do milho, algodão, soja, feijão e cana-de-açúcar.

Análise de evidências científicas concluiu que o produto está associado ao desenvolvimento da doença de Parkinson -- condição neurológica degenerativa que leva ao tremor, rigidez, distúrbios na fala e problemas de equilíbrio.

Segundo relatório do GGTOX, grupo de trabalho de toxicidade da Anvisa, o produto tem qualificação toxicológica I, considerado extremante tóxico. A agência começou a analisar o produto em 2008.

De acordo com a análise das evidências científicas, o grupo considerou haver peso suficiente para comprovar o potencial do herbicida de induzir aberrações cromossômicas em células somáticas in vitro e in vivo, em diferentes espécies, e por diferentes vias de exposição, inclusive dérmica.

Ainda, em análise conjunta com a Fiocruz, que entregou nota técnica à agência em outubro de 2009, a Fiocruz considerou suficientes as evidências da literatura científica relacionadas à intoxicação aguda, mutagenicidade, desregulação endócrina, carcinogênese, toxicidade reprodutiva, teratogênese e doença de Parkinson.

No entanto, as evidências mais consistentes foram relacionadas à doença de Parkinson, o que levou o relatório da Anvisa a concluir que:

“Há um peso de evidência forte em estudos em animais e epidemiológicos indicando que o Paraquate está associado ao desencadeamento da doença de Parkinson em humanos.”

A agência diz, no entanto, que as evidências apontam para o risco do Paraquate em trabalhadores que entram em contato diretamente com o produto. Não há evidências apresentadas que o herbicida deixe resíduo nos alimentos.

A decisão da diretoria colegiada da Anvisa foi feita no fim da tarde de terça-feira (19). O prazo concedido para o total banimento do produto é de três anos.

G1
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Resultado de imagem para Dar uma pausa na dieta ajuda a perder mais peso, diz estudoCumprir dietas em longo-prazo é um problema para você? Aqui vai uma boa notícia. De acordo com um novo estudo da Universidade da Tasmânia, na Austrália, fazer uma pausa de duas semanas durante a dieta pode potencializar a perda de peso e contribuir para a redução de até oito quilos a mais.

Reação faminta

Quando começamos uma dieta e passamos a ingerir menos calorias por dia, nosso corpo desencadeia uma mecanismo chamado ‘reação faminta’ que desperta a sensação de fome e torna difícil permanecer no regime por muito tempo. Por isso é normal que pessoas em regimes longos acabem cometendo deslizes de percurso, que acabam atrapalhando a perda de peso.

Além disso, quando as pessoas retornam à alimentação ‘padrão’, o corpo reduz o metabolismo e passa a queimar menos gordura para se prevenir dos tempos de crise alimentar (conhecido como ‘dieta’).

“Essa reação é um mecanismo de sobrevivência que ajudou os seres humanos, como uma espécie, a reservar energia. Hoje, não temos mais o mesmo estilo de vida e esse mecanismo acaba por contribuir para o aumento de peso”, disse Nuala Byrne, líder da equipe de pesquisa.

O estudo

Tendo isso em mente, os pesquisadores resolveram estudar como homens acima do peso reagiriam a uma dieta com pausas de 14 dias, que poderia evitar essa reação de contenção do organismo.

Os voluntários foram divididos em dois grupos que tiveram que cortar um terço da ingestão calórica. Um dos grupos manteve-se na dieta durante 16 semanas seguidas, enquanto o outro tinha que manter a alimentação restrita por apenas duas semanas, seguidas de 15 dias de pausa nos quais os participantes poderiam comer o necessário para manter – e não perder – o peso.

Depois disso, eram mais duas semanas de dieta pouco calórica e os ciclos iam se alterando por 30 semanas para garantir que os voluntários desse grupo cumprissem as mesmas 16 semanas de dieta.

Resultados duradouros

Os resultados mostraram que os participantes que fizeram pausas estratégicas ao longo da dieta não só perderam mais peso, como conseguiram manter melhor o emagrecimento após a conclusão do teste.

Os participantes que fizeram a pausa pesavam, em média, oito quilos a menos do que o outro grupo, mesmo depois de seis meses após o fim do regime.

Mudança na alimentação

De acordo com Nuala, mudanças bruscas na dieta levam a uma série de processos biológicos que desaceleram o metabolismo, fazendo com que a pessoa perca menos peso do que o esperado ou até engorde.

“Quando reduzimos o consumo calórico durante a dieta, o metabolismo diminui para compensar essa perda, um fenômeno conhecido como termogênese adaptativa, que torna a perda de peso mais difícil”, disse a professora.

Jejum intermitente

No entanto, apesar dos bons resultados associados à pausa na dieta, segundo os pesquisadores, planos alimentares que incentivam pausas e jejuns podem não ser tão eficazes. “Outros trabalhos científicos mostraram que as dietas que utilizam períodos de jejum completo ou parcial em dias alternados não são melhores do que qualquer dieta contínua convencional”, disse Nuala.

“Embora sejam necessários estudos adicionais em torno da nossa abordagem, os resultados do estudo fornecem suporte preliminar de que essa alternativa é superior à dieta contínua.”

Veja
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Acima, à esquerda, células brancas de gordura de camundongos utilizados na pesquisa.  Na outra imagem, à direita, células sem a proteína PexRAP transformaram o aspecto da gordura, que ficaram mais fáceis de 'queimar' (Foto: Irfan J. Lodhi/Washington University School of Medicine/Cell Reports)O nosso organismo acumula uma gordura boa e outra ruim. A boa gordura (marrom) ajuda a queimar calorias e está associada à habilidade do corpo de produzir calor; já a “ruim” (branca), contribui para o acúmulo de calorias -- o que leva ao ganho de peso, à obesidade e a problemas associados, como o aumento da prevalência de condições como diabetes e hipertensão.

Desde a distinção entre essas duas gorduras, a ciência tenta identificar uma maneira de aumentar a produção de gordura boa. Uma possível contribuição nessas empreitadas é a da Washington University School of Medicine, nos Estados Unidos, que "encontrou" uma maneira de converter a gordura ruim em marrom em camundongos. O método foi publicado nesta terça-feira (19) na “Cell Reports”.

"Nosso objetivo é encontrar uma maneira de tratar ou prevenir a obesidade", disse o primeiro autor do estudo, Irfan J. Lodhi, em nota.

Pesquisadores demonstraram que o bloqueio da atividade de uma proteína específica na gordura branca a transformou em gordura bege, um tipo de gordura entre a branca e a marrom.

Nos camundongos em que a proteína 'PexRAP' foi bloqueada, não houve mais sua produção nas células de gordura. Essas cobaias também se tornaram mais magras que as demais, mesmo quando comiam a mesma quantidade de alimento que outros ratos. Ainda, cobaias que tiveram sua gordura modificada queimaram mais calorias.

O processo também fez com que as células de gordura aquecessem e, com isso, queimassem calorias. Segundo os pesquisadores, mesmo que a gordura branca não tivesse se transformado inteiramente em marrom, a bege também contribui para que o corpo queime mais calorias.

"Ao visar a gordura branca, podemos converter gorduras ruins em um tipo de gordura que combata o ganho de peso", detalha Lodhi.

Lodhi e equipe esperam que algum tipo de terapia possa ser desenvolvida com base no que foi feito em laboratório: a ideia é que um medicamento seja capaz de bloquear uma proteína da gordura branca em seres humanos com segurança.

Frio influencia produção de gordura boa

Em uma outra etapa da pesquisa, camundongos foram colocados em um ambiente frio e os níveis de proteína bloqueada também diminuíram dentro da gordura branca -- o que permitiu que a gordura tivesse um aspecto que a deixasse mais próxima da gordura marrom.

"O frio induz gorduras castanhas e bege e ajuda a queimar energia armazenada e produzir calor", diz Lodhi.

A gordura branca é encontrada na barriga, quadris e coxas. Já a marrom, está localizada perto do pescoço e dos ombros.

Essas diferenciações entre os diferentes tipos de gordura são relativamente recentes na ciência: a gordura marrom foi descrita primeiramente em artigo do "New England Journal of Medicine" em 2009; já a bege, foi apresentada em 2015.

G1
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Na terapia genética contra o câncer, célula T (de defesa) é  reprogramada para Tratamentos que utilizam a edição genética para “ensinar” células de defesa a combater o tumor abrem uma nova fronteira para o câncer, mas também apresentam sérios efeitos colaterais, aponta artigo de revisão (quando cientistas analisam achados de outros estudos) publicado na “Nature Reviews Clinical Oncology” nesta terça-feira (19).

O texto, escrito por especialistas do MD Anderson, da Universidade do Texas (EUA), também traz diretrizes para oncologistas lidarem com esses novos medicamentos. Eles analisaram estudos de vários centros de pesquisa e também apresentam insights com mais de 100 pacientes tratados no MD Anderson e em outras instituições em estudos experimentais.

A discussão é particularmente importante porque, no final de agosto, os Estados Unidos aprovaram a primeira terapia genética contra células cancerígenas. Isso significa que, por lá, a terapia já pode ser usada comercialmente. Ainda, uma aprovação como essa abre as portas para que o tratamento seja adotado no restante do mundo.

O tratamento, chamado de Cart-CEll, pode ser usado para adultos e crianças com leucemia linfoide aguda (LLA). Na terapia, especialistas editam o DNA do linfócito T na superfície com um antígeno que o habilita a reconhecer o tumor.

Segundo estudos clínicos apresentados para a aprovação da terapia, 83% não apresentaram sinais da doença após o tratamento.

O artigo aponta que, embora a CAR T apresente um nível totalmente novo de resposta de melhora no câncer, elas também são mais tóxicas e apresentam um quadro de efeitos colaterais não visto nos tratamentos oncológicos convencionais.

Toxicidade e cérebro inchado

Dois efeitos colaterais surgiram durante os ensaios clínicos com a CART-T, mostram os cientistas:

A síndrome de liberação de citoquinas (SIR), também conhecida como tempestade de citoquinas, uma resposta imune progressiva que causa sintomas semelhantes à gripe, mas com potencial fatal nesses pacientes.

Pacientes também podem apresentar toxicidade neurológica que os pesquisadores chamaram de síndrome de encefalopatia relacionada a células CAR-T (CRES), que, às vezes, pode levar ao inchaço letal no cérebro.

Segundo os pesquisadores, ambos os sintomas são passíveis de tratamento -- com identificação precoce para a melhoria rápida. No artigo, pesquisadores detalham possíveis diretrizes para ambas os efeitos e também detalham um teste simples para avaliar a toxicidade do cérebro após a terapia.

Trata-se de um teste de 10 pontos em que o paciente deve realizar tarefas simples para avaliar sua cognição. Primeiro, pacientes são requisitados a dizer ano, mês, cidade, hospital e presidente do seu país de origem (5 pontos); depois, devem nomear três objetos próximos (3 pontos). Por último, são solicitados a escrever uma sentença padrão e contar de 100 para trás em dezenas.

Caso o paciente complete todas as tarefas, está com a cognição normal. No texto do artigo, pesquisadores citaram caso de paciente que teve toxicidade tratada precocemente após a terapia porque foram identificados problemas em sua caligrafia.

France Presse
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HIV e tabaco aceleram desenvolvimento do câncer de pulmão, diz pesquisa (Foto: Pixabay)As pessoas infectadas com o vírus da imunodeficiência humana que fumam são muito mais propensas a morrer de câncer de pulmão do que pelo HIV, disseram pesquisadores nesta segunda-feira (18).

"Ter HIV e usar tabaco podem, juntos, acelerar o desenvolvimento do câncer de pulmão", advertiu um estudo publicado na revista "Journal of the American Medical Association (JAMA) Internal Medicine".

Fumar reduz a expectativa de vida entre as pessoas que vivem com HIV e que recebem terapia antirretroviral para manter sua doença controlada -- mais do que o próprio HIV, acrescentou.

As conclusões são particularmente preocupantes porque fumar é muito comum entre pessoas com HIV. A prevalência de fumantes neste grupo nos Estados Unidos é de 40%, cerca do dobro do que no resto da população americana.

"O tabagismo e o HIV são uma combinação especialmente ruim quando se trata de câncer de pulmão", disse o autor principal do estudo, Krishna Reddy, médico no Hospital Geral de Massachusetts, em Boston.

"As taxas de tabagismo são extraordinariamente altas entre as pessoas com HIV, e tanto o tabagismo como o HIV aumentam o risco de câncer de pulmão".

Quase 25% das pessoas que aderem bem aos medicamentos anti-HIV, mas continuam fumando morrerão de câncer de pulmão, de acordo com o estudo.

As pessoas com HIV que tomam medicamentos antivirais e fumam têm entre seis e 13 vezes mais probabilidades de morrer de câncer de pulmão do que de HIV/aids, acrescentou.

Mas há esperança para aqueles que conseguem parar.

Apenas cerca de 6% dos fumantes que abandonaram o cigarro aos 40 anos morrerão de câncer de pulmão, de acordo com o estudo, que é baseado em projeções usando um modelo de computador.

"Parar de fumar é uma das coisas mais importantes que as pessoas com HIV podem fazer para melhorar sua saúde e viver mais tempo", disse o coautor Travis Baggett, também do Hospital Geral de Massachusetts.

Cerca de 60 mil das 644,2 mil pessoas com entre 20 e 64 anos vivendo com HIV e recebendo cuidados devem morrer de câncer de pulmão até os 80 anos se os hábitos de tabagismo não mudarem.

France Presse
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