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Saúde

Infecções hospitalares e dosagem incorreta de medicamentos estão entre as causas (Foto: Agência Brasil)Um levantamento do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar) divulgado nesta quarta-feira (22) mostra que 829 brasileiros morrem por dia em decorrência de situações que poderiam ter sido evitadas -- estimativa que aponta para 3 (2,87) mortes a cada 5 minutos.

Em 2016, 302.610 morreram em hospitais públicos e privados em decorrência dessas "falhas".

Erro de dosagem em medicamentos, uso incorreto de equipamentos e infecção hospitalar estão entre as causas evitáveis. Segundo a pesquisa, dos 19,1 milhões de brasileiros internados em hospitais ao longo de 2016, 1,4 milhão passou por pelo menos um evento que poderia ter sido prevenido.

Dentre as maiores vítimas, estão bebês com menos de 28 dias e idosos com mais de 60 anos. Nesse grupo, quedas no hospital, infecções localizadas da cirurgia, trombose venosa e embolia pulmonar estão entre as causas evitáveis mais frequentes.

Ainda, infecções associadas ao uso de sonda e a de cateter venoso central são causas comuns que poderiam ter sido evitadas, aponta o levantamento.

A pesquisa acompanhou 240.128 pacientes que tiveram alta hospitalar entre o início de julho de 2016 e final de junho de 2017.

O estudo teve como um dos responsáveis o médico Renato Couto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

Qualidade dos hospitais no país

O trabalho cita um trabalho de 2009 ("Desempenho hospitalar no Brasil", de La Gorgia e Couttolenc) para situar a qualidade dos hospitais no páis. Segundo esse estudo, o hospital brasileiro típico tem pequeno porte e tem apenas 34% da eficiência se comparado aos melhores hospitais do país.

Os hospitais brasileiros também possuem modelos de gestão inadequados e pagamento com base na produção. Ainda, 60% dos hospitais têm até 50 leitos, contra um porte mínimo recomendado de 200 leitos.

Na conclusão, os autores do levantamento apontam ser necessário qualificar a rede hospitalar brasileira, incluindo a gestão baseada em normas certificáveis. Uma melhor padronização, afirmam, melhora o resultado de redes assistenciais.

G1
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Medicamento combina drogas modernas e teve sua aprovação para comercialização nos Estados Unidos  (Foto: PixabayCreative Commons CC0 )Os Estados Unidos aprovaram um novo medicamento que impede a ação do HIV-1 no organismo. Trata-se de uma combinação entre outros antirretrovirais já existentes no mercado: o dolutegravir e a rilpivirina. Entre os medicamentos da nova geração, o Juluca, como é conhecido comercialmente, é o primeiro a combinar dois compostos.

Infectologistas brasileiros comemoraram a aprovação -- que aumenta a adesão ao tratamento (já que lembrar de uma só droga é mais simples). Uma outra vantagem da terapia é a diminuição de toxicidade dos medicamentos existentes.

"Depois do tratamento mais eficiente de nova geração, esse é o primeiro com somente duas drogas", diz Esper Kallás, infectologista e professor da Faculdade de Medicina da USP.

A nova geração de antirretrovirais tem como principal característica o fato de possuírem menos efeitos colaterais que tratamentos mais antigos -- como o efavirenz, que piorava sintomas de pacientes psiquiátricos. No entanto, não havia até agora uma única pílula que combinasse os compostos mais recentes.

"A ciência tem tentado combinações para um menor número de drogas, com menor toxicidade para esquemas de manutenção do tratamento", diz Jamal Suleiman, infectologista do Emílio Ribas, hospital de referência em São Paulo. "E é isso que esse medicamento faz".

O medicamento aprovado nesta terça-feira (21) deve ser utilizado em pacientes com supressão do vírus ao menos por seis meses (ou seja, que estivessem usando outros tratamentos). Também ele não deve ser administrado em indivíduos que já apresentaram resistência a alguns dos componentes da nova droga.

A ideia é que o paciente comece a tomar a medicação de referência mais comum (como o dolutegravir ou o efavirenz) e que só depois comece a usar o Juluca para manter o que os outros medicamentos já conseguiram: ou seja, manter a carga viral a mais baixa possível.

A indicação é consistente com os estudos clínicos apresentados ao FDA (órgão norte-americano similar à Anvisa), que aprovou o composto. Segundo o órgão, a eficácia do Juluca foi testada em dois ensaios clínicos com 1024 participantes, que foram divididos aleatoriamente: parte tomou o Juluca; e a outra continuou com o tratamento prévio. Os resultados mostraram que a droga foi eficaz em manter o vírus suprimido tanto quanto a terapia de referência.

"Por enquanto, é um medicamento de manutenção, com base nesses estudos que o FDA analisou", diz Suleiman. "Então, será necessário começar o tratamento com outros medicamentos. E aí, quando a carga estiver indectável, começar a usar essa nova droga."

Jamal Suleiman, que trabalha com pacientes portadores há 34 anos, diz que espera que a droga chegue ao Brasil -- como também chegaram o dolutegravir (antirretroviral da nova geração) e o truvada (medicamento também usado para a prevenção do HIV).

"Quanto mais oferecermos nesse cardápio, melhor. As pessoas são muito diferentes", diz.

Ainda, o infectologista salienta ser imprescindível diminuir a quantidade de medicamentos, principalmente em pacientes que ficam mais velhos. "Eles já vão ter que tomar muitos medicamentos, para além dos antirretrovirais", diz.

Junção de drogas mais novas

A principal vantagem do novo medicamento, assim, é a junção de outros dois componentes de drogas mais modernas, o que diminui a toxicidade e contribui para maior adesão ao tratamento.

"Quanto menos você mexer na rotina do sujeito, é melhor", diz Suleiman. "Estamos caminhando para um momento que será possível uma injeção por mês".

A junção de drogas anti-HIV não é uma novidade. Outras drogas, como o ATRIPLA (junção de efavirenz, emtricitabina e tenofovir) já foram inseridas no mercado e adotada no mundo inteiro -- inclusive no SUS (que utiliza uma variação do composto).

Esse medicamento, no entanto, foi associado a efeitos colaterais como alucinações e pesadelos, o que levou o Ministério da Saúde a adotar o dolutegravir. Com isso, alguns pacientes passaram a associar o dolutegravir combinado com outras drogas ao invés de tomar um único medicamento.

Desde a introdução de drogas mais modernas, assim, o mercado ficou carente de uma nova pílula que fizesse a junção desses compostos mais modernos.

O Juluca é produzido pela ViiHealth Healthcare, empresa estabelecida em um consórcio com duas grandes da indústria: a Pfizer e a GSK. A ViiHealth é especializada em produção e pesquisa de novas opções para o tratamento do HIV.

G1
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Quarta, 22 Novembro 2017 17:41

Como o corpo reage a cada bebida alcoólica

Resultado de imagem para Como o corpo reage a cada bebida alcoólicaUm novo estudo, publicado no periódico científico British Medical Journal, mostrou como cada escolha entre as bebidas alcoólicas pode afetar as emoções e o comportamento das pessoas.

Segundo os cientistas, o vinho e a cerveja são as bebidas que mais causam sensação de relaxamento, sono – e até mesmo cansaço, em alguns casos. Já se a intenção é sentir-se mais confiante e enérgico, os destilados são as melhores pedidas. No entanto, eles também podem deixá-lo mais propenso à tristeza e à agressividade.

Reações positivas e negativas

Cerca de 30.000 pessoas, entre 18 e 34 anos, de diversos países responderam um questionário anônimo, Global Drug Survey, sobre hábitos de consumo de álcool e outras drogas. Depois de analisar como os participantes reagem à cada bebida, os cientistas descobriram que 53% sentem-se relaxados ao beber vinho tinto e 33%, vinho branco. Essa sensação que também é notada quando bebem cerveja, com cerca de 50% dos participantes.

Já cerca de 60% dos participantes dizem sentir mais confiança e energia, e 42% sentem-se mais atraentes, com os destilados – como cachaça, vodca, gim, tequila, uísque e rum. Por outro lado, essas bebidas também provocam reações negativas. Cerca de 30% ficam mais agressivos e inquietos, e 22% ficam mais tristes. Mas isso não se restringe aos destilados: os vinhos também foram associados à fadiga e ao cansaço por 60% dos participantes.

Diferentes hábitos

As reações podem se tornar mais ou menos intensas de acordo com o padrão de consumo, idade, sexo, status socioeconômico e escolaridade. Os participantes que apresentaram um consumo mais intenso do álcool reportaram mais reações, tanto positivas quanto negativas. Todas as emoções foram sentidas na mesma proporção por participantes de ambos os sexos – com exceção da agressividade, que foi mais percebida entre os homens.

Além disso, os efeitos de relaxamento e cansaço foram mais percebidos quando as bebidas eram consumidas em casa, enquanto maior confiança e agressividade quando bebiam em um bar, por exemplo.

Ainda não se sabe por que cada bebida promove um efeito diferente, mas os pesquisadores acreditam que podem ser o fato de elas têm ingredientes, porcentagens alcoólicas e doses (como e onde são tipicamente consumidas) diferentes. Outra hipótese é a de que as pessoas escolhem a bebida já pensando no efeito que ela irá causar – tendo como base aspectos sociais e culturais de cada tipo de álcool, assim como as propagandas.

Veja
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Em 2016, o bebê de Michelle Cottle nasceu morto na 37ª semana depois de uma gravidez sem nenhum problema aparente (Foto: Arquivo pessoal)Mulheres estão sendo aconselhadas a dormir de lado nos últimos três meses de gravidez para evitar a morte do bebê.

Um estudo com cerca de mil pacientes britânicas aponta que o risco de morte do feto dobra quando a gestante dorme de costas nesse período. Segundo os cientistas, o mais importante é a posição em que a mulher adormece - elas não devem se preocupar com a posição em que acordam.

A pesquisa analisou casos de 291 grávidas cujos bebês nasceram mortos e de 735 em cujas crianças chegaram ao mundo vivas.

Levantamentos indicam que uma em cada 225 gestantes no Reino Unido tem uma gestação que termina com a morte do bebê. Para os autores do estudo, estima-se que 130 bebês poderiam ser salvos por ano no país se as mulheres dormissem de lado.

Publicado no British Journal of Obstetrics and Gynaecology (BJOG), o estudo, chamado MiNESS ("The Midlands and North of England Stillbirth Study", ou Estudo sobre Natimortos do Centro e Norte da Inglaterra), é o maior sobre o tema e confirma pesquisas menores na Nova Zelândia e na Austrália.

Posição mais segura

Líder da pesquisa, o professor Alexander Heazell, diretor clínico do Tommy's Stillbirth Research Centre, centro de pesquisa sobre natimortos do Mary's Hospital de Manchester, na Inglaterra, aconselha as mulheres a dormir de lado em qualquer situação nos últimos três meses de gravidez.

"O que não quero é que as mulheres acordem de costas e pensem: 'meu Deus, fiz algo horrível com meu bebê'", diz ele. "A questão que pesquisamos é muito específica: em qual posição as pessoas foram dormir e por quanto tempo permaneceram nelas comparando com outras. Você não pode fazer nada em relação à posição que acorda, mas pode escolher a posição em que vai dormir", explica ele.

Pesquisadores ainda não conseguem dizer com certeza por que o risco de morte dos bebês aumenta. Mas os dados sugerem que a posição da mãe, combinada ao peso do feto, exerceria pressão nos vasos sanguíneos, podendo restringir o fluxo sanguíneo do bebê e sua oxigenação.

Segundo Edwars Morris, do BJOG, a nova pesquisa é "muito bem-vinda".

"É um estudo importante por engrossar os indícios de que a posição do sono de uma grávida altera os fatores de risco para a morte do bebê", afirmou.

Orientação

Com base no resultado do estudo, o instituto está fazendo uma campanha para incentivar grávidas a dormir de lado.

Michelle Cottle apoia a ideia. Em 2016, o filho dela nasceu morto na 37ª semana - até então, a gravidez não havia apresentado nenhum problema.

Ao escrever um blog sobre o assunto, chamado "Dear Orla", Cottle recebeu relatos de mulheres que tiveram experiências parecidas. Ela teve uma filha um ano depois e diz que conselhos como esses são importantes para que as gestantes se sentam mais confortáveis e sob o controle da situação.

"Eu realmente acredito que essas dicas ajudam as pessoas a ter uma gravidez mais saudável", diz ela, para exemplificar em seguida como a triste experiência que viveu teve impacto na gestação seguinte.

"Olhando para trás, fiquei bastante traumatizada. Na minha (segunda) gravidez, revivia meu pior pesadelo todo santo dia", afirma ela.

"Você sofre a cada momento que sente o bebê quieto, fica sem saber se ele está vivo ou não. É terrível. À noite é pior, porque muitas mulheres dizem que achavam que seus filhos tinham morrido enquanto elas dormiam. Isso é muito assustador, porque você precisa dormir."

BBC
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Na imagem, o Linfócito T. Na terapia genética, cientistas modificam essa célula de defesa para que ela aprenda a combater o tumor  (Foto: NIAID (National Institute of Allergy and Infectious Diseases) )Estudo publicado na "Nature Medicine" mostra que pacientes com leucemia resistentes a tratamento -- inclusive aqueles que já passaram por técnicas de terapia genética mais recentes -- podem tentar um outro tipo de estratégia de modificação de genes para vencer o câncer. No estudo, a remissão completa com a nova terapia foi atingida em 73% dos casos.

A terapia genética voltada para o sistema imunológico se prepara para ser um dos tratamentos mais promissores para cânceres hoje sem terapia. A estratégia básica funciona mais ou menos assim: 1) células de defesa são retiradas do organismo do paciente; 2) elas são modificadas geneticamente em laboratório para aprender a reconhecer o tumor; 3) as novas estruturas são injetadas novamente no organismo; 4) espera-se que o corpo tenha "aprendido" a reconhecer células cancerígenas.

A estratégia parece simples, mas na prática cientistas estão tentando todas as variações desse mecanismo para tentar vencer o câncer (várias delas relatadas em matéria especial no G1). A pesquisa publicada nesta segunda-feira (20) na "Nature Medicine" está tentando um mecanismo diferente: as células de defesa T são modificadas para atacar um novo tipo de estrutura presente nas células malignas: o antígeno CD 22.

Um antígeno é uma estrutura presente nas células doentes que, por sua especificidade, deflagra uma resposta imune. Em um mecanismo similar à "chave-fechadura", a célula imune (fechadura) se prende a essa estrutura (chave) e a "mata". Nas terapias genéticas em curso hoje, a chave mais comum é o antígeno CD 19; no estudo da "Nature", no entanto, foi utilizada a estrutura CD 22.

De acordo com o estudo, o problema de alguns tratamentos com a estrutura CD 19 é que os tumores simplesmente perdem essa estrutura ao longo do tempo -- sendo a causa mais frequente de resistência ao tratamento. A pesquisa escolheu, então, o CD 22 (que é geralmente mantido após a perda do CD 19).

Como foi o estudo

Cientistas testaram o CART CD 22 (como é chamada a nova terapia), em 21 crianças e adultos, incluindo 17 que foram previamente tratados com imunoterapia por CD 19. A remissão completa foi obtida em 73% dos pacientes, com 5 desses pacientes tendo sido previamente tratados com CD 19.

Segundo autores, a pesquisa é a primeira a estabelecer a atividade clínica de terapias dirigidas para o antígeno CD 22. Uma importância do estudo é justamente mostrar que existem outras opções, mesmo para os pacientes que já foram tratados com terapias genéticas inovadoras.

Nos pacientes em que a doença voltou, cientistas atribuíram a falha à baixa densidade do CD 22. O achado também mostrou a importância de uma presença maciça da estrutura para que o câncer seja mantido sob controle.

G1
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Estudo aponta os prejuízos de comer rápido demais (Foto: Arquivo AFP)Comer lentamente, saboreando cada mordida e sem distrações pode parecer um luxo para muita gente. Mas é fundamental para a saúde, segundo um estudo apresentado na conferência anual da Associação de Cardiologia dos Estados Unidos.

Devorar os alimentos não dá ao cérebro tempo suficiente para registrar que estamos satisfeitos. E aumenta em cinco vezes o risco de uma síndrome metabólica, caracterizada por um conjunto de fatores de risco relacionados a doenças cardiovasculares e diabetes, como obesidade, pressão alta e taxas elevadas de colesterol.

O estudo

A pesquisa, conduzida pela Universidade de Hiroshima, no Japão, acompanhou por cinco anos 642 homens e 441 mulheres saudáveis. Eles tinham 51 anos quando o estudo começou, em 2008.

Os participantes foram divididos em três grupos, de acordo com a velocidade que ingeriam os alimentos. O resultado? 11,6% daqueles que comiam mais rápido desenvolveram síndrome metabólica, bem acima dos índices observados nos outros dois grupos – entre os de velocidade média, o percentual foi de 6,5%, e os mais lentos, 2,3%.

Tudo indica que "comer mais devagar seria uma mudança de hábito crucial para prevenir a síndrome metabólica", afirma o cardiologista Takayuki Yamaji, que liderou o estudo.

"Quando as pessoas comem muito rápido, fazem isso de forma exagerada, porque não se sentem saciadas. Isso também causa variações no nível de glicose, que podem levar a uma resistência à insulina."

A síndrome metabólica tem como base a resistência à ação da insulina, responsável por regular o açúcar no sangue, o que obriga o pâncreas a produzir mais esse hormônio.

Desligar a TV para perder peso

Um estudo anterior já havia indicado que comer devagar é uma estratégia eficaz para perder peso.

A pesquisa, realizada pela Universidade da Carolina do Norte, constatou que obesos que praticaram técnicas de mindfulness (estado de atenção plena) perderam 2 quilos em duas semanas, enquanto quem continuou a comer rápido emagreceu 300 gramas.

"Nosso estudo sugere que há uma associação entre comer com atenção plena e perda de peso", destacou a pesquisadora Carolyn Dunn, principal autora do estudo.

Ela e seus colegas aconselham não comer em frente à televisão nem na mesa de trabalho.

As recomendações estão alinhadas a práticas budistas milenares e de outras tradições para as quais comer com plena consciência é uma forma de meditação.

Meditação da tangerina

No livro Savor: Mindful Eating, Mindful Life ("Saboreie: alimentação com atenção plena, vida com atenção plena", em tradução livre para o português), o mestre budista Thich Nhat Hanh e a médica Lilian Cheung ensinam como se alimentar sem distrações.

Entre as técnicas apresentadas, está a "meditação da tangerina", que recomenda comer a fruta lentamente, refletindo sobre o processo da natureza para produzi-la e o trabalho necessário para que chegue à mesa, sentindo com gratidão o sabor doce e cítrico.

Assim, da próxima vez que tiver um prato de comida na sua frente, tente desligar a televisão, deixar o celular de lado e vá para longe da mesa de trabalho. Será um gesto de carinho com o próprio corpo desfrutar de cada mordida.

BBC
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De janeiro a outubro deste ano, os casos de hepatite A aumentaram 960% na cidade de São Paulo (Foto: Alain Grillet-Sanofi Pasteur)A cidade de São Paulo vive um surto de hepatite A. De janeiro a outubro deste ano, houve um aumento de 960% no número de casos confirmados da doença, se comparado com o mesmo período de 2016.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, até 28 de outubro, foram registrados 604 casos, enquanto no mesmo período do ano passado foram reportados apenas 57.
A doença infecciosa, causada pelo vírus VHA, desenvolve um processo inflamatório no fígado.

O surto já causou duas mortes e colocou quatro pessoas na fila de emergência para transplante. Ao todo, 155 pessoas foram hospitalizadas.

A disparada da hepatite A na capital paulista vem sendo atribuída principalmente à prática de sexo oral e anal sem proteção, além da ingestão de alimentos e água contaminados.

A maioria das ocorrências foi registrada entre homens de 18 a 39 anos - grupo que responde por 80% das contaminações.

Segundo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), pelo menos 45% dos casos foram transmitidos por meio de relações sexuais sem proteção. Outros 10% se deram pela ingestão de alimentos e líquidos contaminados. A forma de contágio dos 45% restantes ainda está sendo investigada.

"A hepatite A é uma doença febril, aguda, viral, de transmissão fecal-oral, que ocorre em locais com baixa qualidade de saneamento básico e condições precárias de higiene", explica a médica Geraldine Madalosso, coordenadora da área técnica de doenças transmitidas por alimentos da Covisa.

"É muito comum em crianças, mas os números são geralmente baixos. Em locais com melhores condições de saneamento e higiene, ela se desloca para o grupo adulto", acrescenta.

Como se proteger

A hepatite A não tem tratamento específico - os medicamentos disponíveis hoje se dirigem apenas aos sintomas da doença. Geralmente, o organismo é capaz de lutar contra o vírus sozinho e, nesses casos, ganha imunidade permanente.

Porém, em cerca de 1% dos casos, a doença pode evoluir para quadros graves, como a hepatite fulminante, que pode levar à morte.

Apesar de a hepatite A não ter cura, há formas de preveni-la. Especialistas ouvidos pela BBC Brasil compartilham algumas recomendações para evitar a doença:

1 - Verifique a procedência de líquidos e alimentos

A transmissão da hepatite A é oral-fecal. Sendo assim, a ingestão de alimentos e líquidos contaminados por resíduos de coliformes fecais é uma das formas mais comuns de se contrair a doença.

Por isso, preze pelo consumo de comidas e bebidas de estabelecimentos que tenham condições de higiene aprovadas por órgãos sanitários. Esse cuidado é fundamental para evitar a exposição ao vírus.

Na hora de beber água, escolha sempre a opção potável.

"Na prevenção, é importante a higienização dos alimentos, evitar o consumo de itens crus ou mal cozidos e não consumir produtos de origem duvidosa", afirma Madalosso.

2 - Lave sempre as mãos

Como o vírus da hepatite A está presente nas fezes, outra recomendação importante é higienizar corretamente as mãos após ir ao banheiro.

"Se a pessoa está doente, ela tem que redobrar os cuidados com essa higiene, porque, se não lavar as mãos corretamente, pode contaminar familiares na hora de cozinhar os alimentos, por exemplo", afirma o professor Paulo Abrão, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro do Comitê Científico de Hepatites Virais da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Além disso, melhorias no sistema de saneamento básico também são essenciais para evitar a contaminação.

3 - Vacine-se

Desde 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente vacina contra hepatite A para crianças de até cinco anos. Grupos considerados de risco - como pessoas com doenças imunossupressoras, como hepatite B e C, e portadoras de HIV - também têm direito à vacina.

"Com a vacinação, a pessoa ganha o anticorpo contra a doença e deixa de ser suscetível. É assim com outras doenças virais, como o sarampo, rubéola e a caxumba", explica José Cerbino Neto, chefe do laboratório de pesquisa em imunização e vigilância em saúde do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

Quem não faz parte desses grupos pode fazer a imunização na rede privada. No entanto, a vacina está em falta nas clínicas particulares da capital paulista há pelo menos três meses.

As empresas farmacêuticas que comercializam a vacina no Brasil - GlaxoSmithKline, MSD e Sanofi Pasteur - afirmam que houve um aumento inesperado da demanda, tanto no Brasil quanto no exterior, o que gerou o problema de desabastecimento.

Em nota, a MSD disse que disponibilizou para o mercado "todo o estoque de vacinas existentes no país" e que novos lotes já foram solicitados à matriz, "a fim de regularizar o abastecimento do mercado nacional."

Já a Sanofi Pasteur informou por meio de sua assessoria de imprensa que, como o imunizante é produzido fora do país, "é necessário que se cumpram diversas regras sanitárias de importação."

A GlaxoSmithKline avisou, por sua vez, que a previsão para regularizar os estoques da vacina (pediátrica e adulta) é 2018.

4 - Opte sempre por sexo protegido em todo tipo de relação

A hepatite A não é transmitida por fluidos corporais ou secreções - e, sim, pelo contato com as fezes de uma pessoa contaminada. Por isso, é importante manter relações sexuais sempre com proteção, principalmente casais que praticam sexo anal e oral- seja gay ou heterossexual.

A fase de incubação da doença pode durar até quatro semanas, período no qual costuma ser assintomática. No entanto, duas semanas antes de manifestar os sintomas, a pessoa já pode transmitir o vírus, o que ocorre pelas fezes.

"A relação sexual precisa ser segura e a pessoa precisa ter condição de higiene adequada. O sexo oral também precisa ser protegido, porque uma forma clara de transmissão dessa hepatite é por sexo oral. Se a pessoa que pratica não é vacinada, ela está suscetível a contrair a doença", explica Paulo Abrão, da Unifesp.

Sintomas

Os primeiros sintomas da hepatite A podem ser inespecíficos, semelhantes aos de um resfriado, como febre baixa, falta de apetite, enjoo, vômito, dor de barriga, desconforto abdominal e fraqueza. Mas podem evoluir para sintomas claros, que indicam possível contaminação.

"Os sintomas específicos são a icterícia (cor amarelada) da pele e dos olhos e urina escura com cor de Coca-Cola. As fezes também podem se tornar esbranquiçadas ou acinzentadas. Com esses sintomas, a pessoa deve procurar um hospital", explica Madalosso, da Covisa.

O vírus da hepatite A se multiplica dentro das células do fígado. Ao combater o corpo estranho, o sistema imunológico acaba atacando o próprio órgão, o que pode levar à falência hepática. A condição demanda transplante emergencial e, em casos mais graves, pode levar à morte.

O diagnóstico da doença é feito por meio de exame laboratorial, que indica a presença do vírus.

BBC
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Pesquisa aponta que um em cada 20 estudantes do ensino fundamental já praticou automutilação virtual (Foto: Pixabay/CC0 Creative Commons)Uma nova tendência entre adolescentes americanos vem preocupando especialistas: a prática de postar, enviar ou compartilhar na internet mensagens abusivas sobre si mesmos, de forma anônima.

Em um estudo recente com 5.593 estudantes do ensino fundamental e médio nos Estados Unidos, com idades de 12 a 17 anos, um em cada 20 revelou já ter praticado o chamado auto-cyberbullying, ou automutilação digital.

A abrangência do problema surpreendeu os próprios autores do estudo.

"Esperávamos algo em torno de 1%", diz à BBC Brasil o especialista em cyberbullying Justin Patchin, um dos autores.

"Foi surpreendente descobrir que entre 5% e 6% dos participantes já haviam praticado automutilação digital", afirma Patchin, que é professor de Justiça Criminal da Universidade de Wisconsin-Eau Claire.

Segundo especialistas, assim como em casos de automutilação física, em que muitas vítimas ferem o próprio corpo com cortes, arranhões ou queimaduras, a automutilação digital costuma indicar um pedido de ajuda.

Entre os motivos citados pelos jovens entrevistados estavam baixa autoestima, busca por atenção, sintomas de depressão e o desejo de despertar uma reação nos outros.

"Na maioria das vezes, estão à espera de uma reação, querem ver se alguém vai ajudá-los, como seus amigos vão responder. Eles apenas querem atenção de alguma maneira", observa Patchin.

O estudo, publicado na revista científica Journal of Adolescent Health, foi realizado em parceria com Sameer Hinduja, professor da Escola de Criminologia e Justiça Criminal da Universidade Florida Atlantic.

Patchin e Hinduja dirigem o Cyberbullying Research Center, centro de pesquisas especializado em assédio virtual.

Suicídio

Casos de bullying cibernético em que agressor e vítima são a mesma pessoa ganharam atenção em 2013, com o suicídio da adolescente britânica Hannah Smith, de 14 anos.

Segundo sua família, Smith era alvo de abuso na rede social ASKfm. O site alegava que a própria garota havia enviado várias das mensagens abusivas contra si mesma, de forma anônima.

Após investigar o caso, a polícia concluiu haver evidências de que as mensagens realmente foram enviadas pela própria jovem.

Patchin lembra de dois casos semelhantes nos Estados Unidos. "Em um deles, uma menina de 15 anos cometeu suicídio após sofrer bullying online e na escola. Depois, descobriu-se que muitas das mensagens abusivas haviam sido postadas por ela própria. Ela dizia que era feia e que deveria se matar", relata.

Segundo Patchin, adolescentes vítimas de cyberbullying se mostraram oito vezes mais propensos a ter praticado automutilação digital. Vítimas de bullying na escola eram entre quatro e cinco vezes mais propensas.

"Não sabemos o que veio primeiro, se ser vítima de cyberbullying o faz cometer automutilação digital ou se, como você pratica isso, faz com que outros também postem abusos contra você. Mas sabemos que há uma relação", observa.

Patchin relata que, em alguns casos, os estudantes disseram estar postando de forma anônima o que já havia sido dito ou postado sobre eles de maneira privada.

"Por exemplo, alguém está enviando mensagens cruéis e você está deletando, e ninguém mais vê essas mensagens, mas você quer tornar público o que está acontecendo. Então, posta os comentários você mesmo, de forma anônima, em uma página onde outros possam ver e, talvez, oferecer ajuda."

Diferenças

Mais da metade (51,3%) dos participantes que admitiram ter praticado automutilação digital disseram ter feito apenas uma vez. Outros 35,5% revelaram ter postado mensagens abusivas sobre si mesmos algumas vezes, e 13,2%, várias vezes.

Jovens com histórico de uso de drogas, sintomas de depressão e automutilação física e aqueles que se identificaram como não heterossexuais se revelaram mais propensos a praticar automutilação digital.

Os pesquisadores encontraram algumas diferenças entre meninos e meninas. Enquanto 7,1% dos garotos admitiram a prática, o índice entre elas foi menor, de 5,3%.

Os motivos apresentados também revelaram diferenças: enquanto muitos dos meninos disseram que viam o comportamento como uma brincadeira e uma maneira de chamar a atenção, entre as garotas era mais comum citar depressão ou sofrimento emocional.

Segundo a especialista em comportamento digital de adolescentes Meghan McCoy, coordenadora de programas do Massachusetts Aggression Reduction Center (Centro de Redução de Agressão de Massachusetts, em tradução livre), ligado à Universidade Bridgewater State, os resultados relatados por Patchin são consistentes com os observados em estudos realizados pelo centro.

Em pesquisas realizadas pelo centro com estudantes recém-ingressados na universidade sobre seu comportamento enquanto ainda estavam no ensino médio, entre 10% e 15% revelam já ter praticado automutilação digital.

"Observamos esse comportamento desde 2012. Os números se mantiveram estáveis nos últimos cinco anos, então não acho que estão aumentando. Acredito que seja algo sobre o que as pessoas só agora estão tomando conhecimento", disse McCoy à BBC Brasil.

Assim como no estudo de Patchin e Hinduja, McCoy observa que entre os motivos citados pelos adolescentes entrevistados pelo centro está a busca por atenção e apoio. Ela também ressalta a forte relação entre automutilação digital e cyberbullying.

Para Patchin, é importante que pais, professores, e mesmo policiais investigando casos de cyberbullying mantenham a mente aberta sobre o que está ocorrendo e ofereçam apoio a quem está passando pela experiência, mesmo nos casos em que vítima e agressor são a mesma pessoa.

BBC
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Exercitar empatia e entender diferenças são ferramentas importantes que podem ser aprendidas no relacionamento entre irmãos  (Foto: Laura/Pixabay/CC0 Creative Commons)A rivalidade entre irmãos costuma enlouquecer os pais. Mas, dependendo da forma que as brigas são contornadas, as desavenças podem ser construtivas e trazer vantagens no futuro.

Segundo a psicóloga infantil americana Linda Blair, a competitividade observada no núcleo familiar é um "treinamento perfeito" para a vida adulta. Uma oportunidade para as crianças exercitarem habilidades importantes, como a negociação diplomática e a empatia.

"Devemos aplaudir em vez de ficar bravos quando crianças demonstram diferenças entre si, porque é a oportunidade ideal para lhes ensinar algo", afirma Blair, que acaba de lançar o livro Siblings (Irmãos, em tradução livre) sobre o relacionamento fraternal.

Em entrevista ao programa de rádio da BBC All in the Mind, a psicóloga sugere que, em vez de separar os filhos ou pedir que fiquem quietos, os pais adotem uma abordagem que "vai levar mais tempo, mas será mais eficiente no longo prazo".

"Peça que cada um conte ao outro sua queixa. E, a partir da idade que forem capazes de entender (crianças de dois ou três anos provavelmente não serão), diga: 'agora quero que você se coloque no lugar do seu irmão. Como você acha que ele está se sentindo?'."

A especialista explica que, a partir deste exercício, as crianças começam a desenvolver empatia, capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se na situação dela.

"Ainda que, inicialmente, eles não consigam fazer bem (esse exercício), vão melhorar com o tempo e aprenderão a coisa mais valiosa de todas, que é a empatia. É uma ferramenta tão poderosa que (os pais) vão conseguir contornar a briga e de um modo que as crianças se sentirão bem", afirma Blair.

A educadora e escritora americana Signe Whitson também vê a relação entre irmãos como uma oportunidade para entender diferenças - seja de temperamentos, habilidades ou interesses.

Segundo a especialista, as fontes mais comuns de conflito são questões de justiça e de igualdade. Esse tipo de embate costuma surgir em situações que despertem ciúme - quando um ganha um presente e outro não, quando o mais velho pode dormir mais tarde que o mais novo, e por aí vai.

"Uma das lições mais importantes que irmãos aprenderão na vida familiar é que igualdade não significa justiça e justiça não exige igualdade", diz Whitson em artigo publicado em um site de maternidade.

"Quando irmãos e irmãs percebem que muitos aspectos do relacionamento em família são totalmente desiguais, e ainda assim totalmente justos, eles se saem melhor em aceitar diferenças, em ir além do ciúme e superar conflitos destrutivos entre si."

Da infância para a vida adulta

Linda Blair diz ainda que a intensidade da convivência entre irmãos na infância costuma ser determinante para o relacionamento que eles vão desenvolver na vida adulta.

"Foi um alívio para mim, como mãe, descobrir que não é o tom das emoções entre irmãos que ditará o relacionamento entre eles. Se seus filhos brigam como cães e gatos, isso significa provavelmente que eles serão bem próximos no futuro. Assim como se eles se dão muito bem mesmo quando a casa está desabando. O que importa é a intensidade com que eles se relacionam entre si."

Ela sugere que os pais não cobrem de si mesmo a "perfeição" na criação dos filhos.

"Se acertássemos sempre, os filhos seriam dependentes demais de nós, quando o nosso trabalho é justamente torná-los independentes. Faça o seu melhor, mas sabendo que não vai acertar sempre."

BBC
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