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Quarta, 13 Setembro 2017 09:43

CPI da JBS encerra reunião sem votar pedidos para convocar Joesley e Saud

Resultado de imagem para CPI da JBS encerra reunião sem votar pedidos para convocar Joesley e SaudA Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS encerrou a reunião desta terça-feira (12) sem analisar os 95 requerimentos que estavam na pauta, entre os quais os pedidos de convocação de Joesley Batista, acionista controlador da J&F, e Ricardo Saud, ex-diretor do grupo, que controla o frigorífico JBS.

O presidente da CPI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), explicou que a comissão não votou os requerimentos porque o recém-definido relator Carlos Marun (PMDB-MS) ainda não apresentou o cronograma de trabalhos. A apresentação do planejamento do relator está prevista para a próxima terça-feira (19).

Joesley Batista e Ricardo Saud foram presos pela Polícia Federal, e o acordo de delação premiada deles está em processo de revisão porque o Ministério Público Federal decidiu apurar se eles omitiram informações.

Os dois executivos estão detidos temporariamente na superintendência da Polícia Federal em Brasília e os benefícios concedidos a eles foram suspensos provisoriamente por determinação do ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

A CPI da JBS foi instalada na semana passada para apurar supostas irregularidades em empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao grupo J&F.
O grupo também pretende debater os termos e condições dos acordos de delação dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, e de executivos da J&F, caso de Saud.

Críticas ao relator

A reunião desta terça foi marcada por críticas de integrantes da comissão ao relator Carlos Marun, integrante da tropa de choque do presidente Michel Temer, um dos alvos das denúncias da JBS.

Os parlamentares contrários à relatoria de Marun argumentaram que o deputado, por ser aliado de Temer, pode conduzir os trabalhos e fazer um relatório de forma parcial, protegendo o presidente da República.

A designação do relator foi feita pelo presidente da comissão, Ataídes Oliveira. Ele afirmou que, apesar de ter a prerrogativa da escolha, preferiu atender a uma demanda do PMDB, respeitando a proporcionalidade dos partidos no Congresso. O PMDB tem as maiores bancadas na Câmara e no Senado.

Dois senadores decidiram deixar a CPI devido à escolha de Marun: Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e Otto Alencar (PSD-BA).

Ferraço, que era integrante titular da comissão, decidiu se desligar do colegiado após a escolha de Marun como relator. Ferraço afirmou que a CPI “não quer investigar coisa alguma”, mas sim “fazer um acerto de contas”.

“Na medida que você coloca chefe de tropa de choque para fazer isso ou aquilo, fica evidente que essa será uma investigação parcial e eu não participo disse, por isso pedi o afastamento”, explicou o tucano.

Outro senador, Otto Alencar (PSD-BA), também pediu desligamento da CPI. Ele demonstrou descontentamento com a escolha do relator e criticou o fato de Ataídes Oliveira ter se reunido com Temer, no Jaburu, no último sábado (9).

Outros parlamentares criticaram a designação de Marun e afirmaram que ele não é “independente” para ocupar a função.

Em resposta às críticas, Marun disse que não se sentia constrangido em ser o relator apesar do seu alinhamento com Temer.

“Se a minha nomeação como relator gerou descontentamento, espero que minha atuação não produza descontentamento”, disse o peemedebista.

Marun também criticou os parlamentares que deixaram ou pretendem deixar o colegiado por causa do deputado que ocupa a relatoria.

“Essa atitude é tão pirotécnica, porque existe um plenário, que pode, inclusive, rejeitar o meu relatório. Deixar uma CPI por causa da escolha do relator não é uma atitude democrática. Esses pré-conceitos são típicos daqueles que se dizem democratas, mas no fundo têm um coração autoritário e ditatorial”, opinou.

Já Ataídes disse que na reunião com Temer não tratou de CPMI da JBS. Apenas conversou sobre a duplicação de uma estrada no Tocantins.

Outros pedidos de convocação

Além dos pedidos de convocação de Joesley e Saud, outros requerimentos não foram analisados nesta terça. Entre os alvos dos pedidos de convocação, estão:

  • Wesley Batista, acionista controlador do grupo J&F;
  • Marcelo Miller, ex-procurador suspeito de orientar os delatores da J&F;
  • Rodrigo Janot, procurador-geral da República;
  • Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma;
  • Lúcio Funaro, preso na Lava Jato suspeito de ser operador de propina ligado ao PMDB;
  • Antônio Palocci, ex-ministro dos governos Lula e Dilma;
  • Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-deputado federal e condenado na Lava Jato;
  • Dilma Rousseff, ex-presidente;
  • Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente;
  • Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-deputado e ex-assessor de Temer, que foi flagrado com uma mala cheia de dinheiro que recebeu de executivo da JBS.

Para as convocações serem efetivadas, os requerimentos precisam ser aprovados pela comissão.

Pode acontecer também, por acordo entre os integrantes da CPI, que pedidos de convocação sejam transformados em pedidos de convites, nos quais não há obrigação de a pessoa comparecer para depor. As análises dos requerimentos estão previstas para a próxima semana.

G1
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