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No Xingu, cacique Raoni alerta Lula sobre riscos de explorar petróleo na Foz do Amazonas: 'Destruir, destruir e destruir' Featured

O cacique Raoni Metuktire manifestou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta sexta-feira (4), que é contrário à exploração de petróleo na bacia da foz do Amazonas, como deseja a Petrobras.

O líder indígena cobrou uma postura de maior preservação ambiental do presidente durante cerimônia no Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso.

O cacique é uma das vozes mais influentes do Brasil na defesa dos povos indígenas e do meio ambiente.

Raoni citou as discussões no governo sobre a abertura de uma nova frente de exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas, no Norte do país. A Petrobras projeta uma retirada potencial de 10 bilhões de barris na região.

"Estou sabendo que, na Foz do Amazonas, o senhor está pensando no petróleo que tem lá debaixo do mar. Eu penso que não [deveria explorar]. Porque essas coisas, da forma como estão, garantem que a gente tenha um meio ambiente, a terra com menos poluição e menos aquecimento", afirmou Raoni.

A fala foi traduzida para o português por um intérprete. Em compromissos pelo mundo, Raoni sempre usa sua língua nativa, usada pelos grupos Kayapó.

"Se isso acontecer, eu sou pajé também. Eu já tive contato com os espíritos, que sabem dos riscos que a gente tem de continuar trabalhando dessa forma, de destruir e destruir e destruir", completou Raoni.

O discurso foi feito na cerimônia em que Lula condecorou o cacique Raoni Metuktire com a Ordem Nacional do Mérito, nesta sexta.

A entrega da honraria, que reconhece o trabalho do líder indígena, ocorreu na Aldeia Piaraçu — na Terra Indígena Capoto-Jarina —, que fica dentro do Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso.

Raoni foi condecorado no grau Grã-Cruz, o mais alto dos cinco da Ordem Nacional do Mérito.

O decreto que determinou a homenagem, assinado por Lula, foi publicado nesta sexta no "Diário Oficial da União".

A honraria foi criada em 1946 pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) para "galardoar cidadãos e instituições, brasileiros e estrangeiros, que, por motivos relevantes, se tenham tornado merecedores de reconhecimento pelo Estado brasileiro".

Segundo o Palácio do Planalto, centenas de brasileiros e estrangeiros foram condecorados com a Ordem Nacional do Mérito, entre os quais Oscar Niemeyer, Manuel Bandeira (1966), Tancredo Neves (1985), Irmã Dulce (1987) Pelé (1991) e Ayrton Senna (1994).

g1
Portal Santo André em Foco

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