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Quarta, 13 Setembro 2017 09:13

Em novo depoimento de Lula, PT procura reforçar embate político

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem novo depoimento para Moro marcado nesta quartaO novo depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro, marcado para esta quarta (13) em Curitiba, será usado pelo PT para reforçar a mensagem de que há uma guerra jurídica contra o petista.

Atos de apoio a Lula, ainda que menores do que em seu primeiro depoimento, em maio, estão marcados na cidade, com a presença do ex-presidente. Cerca de 4.000 pessoas são esperadas.

"Será mais um momento em que Lula vai mostrar seu pacto com a verdade e escancarar mais um episódio da perseguição que sofre", afirmou à Folha o ex-ministro Alexandre Padilha, vice-presidente nacional do PT.

Para líderes petistas, o depoimento desta quarta é uma chance para Lula se defender das acusações "de forma vivaz", no embalo da caravana que fez pelo Nordeste e que terminou na semana passada.

Às vésperas da audiência, na noite desta terça (12), o PT levou ao ar inserções na TV em que afirma que o ex-presidente é vítima de ódio e perseguição. "Enquanto eles perseguem Lula, o povo nas ruas abraça Lula", diz a campanha.

A peça se encerra com a frase "o Brasil vai voltar a sonhar", numa referência à candidatura do petista à Presidência em 2018.

Na ação em que deporá em Curitiba, o ex-presidente é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro devido a supostas relações ilícitas com a empreiteira Odebrecht. A empresa diz que pagou por um terreno que seria destinado ao Instituto Lula, com dinheiro oriundo de um "caixa de propinas" do PT.

Na semana passada, em depoimento a Moro, o ex-ministro Antonio Palocci afirmou que Lula firmou um "pacto de sangue" com a Odebrecht, com o pagamento de R$ 300 milhões em vantagens indevidas em troca de manter o protagonismo do grupo no governo. O terreno ao instituto estaria incluído nesse valor.

Dirigentes petistas voltaram a afirmar que há uma tentativa de tirar o ex-presidente da eleição do ano que vem, e que o Judiciário faz parte do embate político nacional.

Lula é réu em seis ações penais e foi denunciado outras três vezes, em Curitiba e em Brasília, inclusive no Supremo Tribunal Federal. A última denúncia foi apresentada na segunda (11) em Brasília. As acusações foram movidas por três investigações diferentes: além da Lava Jato, a Operação Zelotes e a Janus.

Em julho, o petista foi condenado por Moro a 9,5 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Ele recorre da sentença, mas, caso ela seja confirmada no Tribunal Regional Federal, será enquadrado na Lei da Ficha Limpa e se tornará inelegível.

"É uma ampla manobra para tirá-lo do jogo", afirmou o ex-ministro Gilberto Carvalho.

O Ministério Público Federal e Moro negam que estejam promovendo uma perseguição. "É mais uma tentativa de diversionismo em relação ao mérito da acusação", afirmou Moro, na sentença do tríplex.

PLANO B

Reservadamente, Lula já admite a possibilidade de ser condenado em segunda instância e busca tornar outros nomes do partido competitivos, como o ex-prefeito Fernando Haddad, num plano B para a candidatura de 2018.

Dirigentes do partido, porém, negaram peremptoriamente a possibilidade.

"Não pode haver eleição sem Lula; não vamos aceitar", afirmou Carvalho, para quem os atos organizados nesta quarta irão "provocar a consciência na população".

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, preferiu não se manifestar sobre a estratégia para o depoimento.

Em recurso enviado nesta semana ao TRF, ele voltou a afirmar que a sentença de Moro no caso do tríplex foi produzida a partir de "uma análise parcial e facciosa".

Folha de S. Paulo
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